Exposição de fotos Soils & Art

Você já refletiu sobre o local em que você caminha? Pois é: ele é genericamente chamado de solo. Saiba, no entanto, que essa é uma maneira muito vaga e imprecisa de falar.

Pode ser que caminhemos em rocha, em material feito pelo homem (cimento, cerâmica, asfalto, aterros...), em sedimentos ou no solo propriamente dito. O solo é, na verdade, um produto da interação entre os materiais que chamamos de líticos (rochas, sedimentos), a água, o ar e os organismos.

Se para formar o solo tem que haver a vida, ele é, dentro dos conhecimentos atuais, no Sistema Solar, um atributo exclusivo do planeta Terra, uma vez que a ciência ainda não comprovou a existência de vida em nenhum outro planeta ou satélite. É isso mesmo: a vida, como a conhecemos, e o solo, como o definimos aqui, só a Terra tem.

Mesmo que não percebamos, dependemos do solo para a manutenção da vida humana e das sociedades de consumo. Alguns exemplos disso são a produção de alimento vegetal para os humanos, de forragens e pastagens para os animais, de fibras e óleos para a indústria, de biomassa para produção de energia, além de servir de suporte ou como material de construção para a Construção Civil...  Sem esquecer, é claro, da qualidade da água e do ar.

O fato é que todas essas atividades humanas causam impactos nos solos, na maioria das vezes negativos. E não apenas isso. Você já refletiu sobre o que acontece com o lixo que jogamos no chão? Ou com a água poluída? Todas as pessoas, sem exceção, em menor ou maior intensidade, causam impacto negativo no solo, e têm a sua vida direta ou indiretamente influenciada por ele.  

Por isso, precisamos saber que ele é um sistema dinâmico e frágil, e que as atividades antrópicas de uso do solo podem comprometer o seu desempenho, principalmente quando são desconhecidas ou ignoradas as suas potencialidades e restrições, determinadas a partir do conhecimento científico e tecnológico. Não há como conviver e/ou interferir em um sistema com a complexidade do solo, desconhecendo os seus componentes e os seus processos.

A preocupação com o meio ambiente vem, aos poucos, despertando a sociedade em relação à responsabilidade com a fauna, a flora e a água. Infelizmente, as rochas, sedimentos e o solo não têm recebido a mesma atenção, e isso preocupa muito a comunidade científica, a ponto de esse ser um tema debatido nos congressos das áreas que estudam esses materiais. No caso do solo, os pedólogos tentam mudar esse paradigma: é preciso que o cuidado com ele passe a fazer parte do cotidiano de todas as pessoas,  empresas e organizações.

As professoras Maria da Graça de V. X. Ferreira (Universidade Católica de Pernambuco - UNICAP) e Carmem S. S. Miranda (Fundação Universidade Federal do Vale do São Francisco - UNIVASF) elaboraram um trabalho intitulado  “Por que solo não tem sido um tema atrativo de pesquisa, estudo e trabalho de campo?” (Why has not Soil Science been an attractive research/study/work field?) e, dentre as reflexões resultantes, estavam a de “levar o tema solos para a mídia e para todos os lugares possíveis, como escolas, associações, comunidades rurais e urbanas, igrejas etc”, o que moveram-nas para além do espaço acadêmico e técnico.

Foi nesse contexto que duas felizes circunstâncias foram decisivas para a concretização do presente projeto: a disponibilidade e a arte do fotógrafo e professor do curso de Engenharia de Computação da UNIVASF, Marcus Ramos, e o edital n° 11/2010 da Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia - FAPESB, de Popularização da Ciência e Tecnologia. Contemplado com recursos desse edital,  o projeto “Soils & Art”, submetido pelos professores Carmem Miranda, Maria da Graça Ferreira e Marcus Ramos, teve como objetivo geral contribuir para mudar a percepção de um público amplo  em relação ao solo: alunos do ensino fundamental, médio e superior  e a sociedade de uma forma geral. A opção foi despertar emoções e reflexões de uma forma divertida através da arte da fotografia.

Assim, foi concebida uma exposição com imagens registradas pelo Prof. Marcus Ramos, que acompanhou as atividades de campo dos alunos da UNIVASF, matriculados nas disciplinas Geologia Aplicada a Solos e Gênese, Morfologia e Classificação de Solos, obrigatórias do Curso de Engenharia Agrícola e Ambiental, e ministradas pela Profa. Carmem Miranda, no segundo semestre de 2009 e no primeiro semestre de 2010.

Foram selecionadas 20 fotografias (40 x 70 cm, emolduradas), entre as mais de 5.000 produzidas nesse período, e a intenção foi ir além do solo propriamente dito: optou-se por mostrar também o contexto em que ele é formado e está inserido, e a dinâmica das atividades de campo realizadas pela professora e os seus alunos.

Os autores pretendem transformar a exposição em itinerante, levando-a a outros ambientes acadêmicos (universidades, escolas, congressos...) e a outros locais públicos com grande fluxo de pessoas. A intenção é sensibilizar a todos sobre o tema. A exposição tem circulado pela Bahia (Juazeiro), Pernambuco (Petrolina e Recife) e Ceará (Sobral). Agora é a vez de São Paulo (USP).

 

Sejam bem-vindos a este trabalho que coloca apropriadamente o Solo na esfera artística!!!

 

Carmem Miranda, Maria da Graça Ferreira e Marcus Ramos